Rejeitado socorro a doente
A família está revoltada com a negação do socorro. O alvo principal das queixas é a enfermeira que estava de serviço na tarde de quarta-feira. "Recusou-se a fazer a triagem e nem quis saber do estado de saúde da minha mãe", disse ontem ao CM Paula Almeida, filha da doente. A idosa tinha sido submetida a uma intervenção cirúrgica delicada, no dia 5, no Hospital Pulido Valente, e regressava a casa na companhia das duas filhas, após ter tido alta.
Perto de Samora Correia, começou a sofrer uma hemorragia com perda de sangue na costura. A filha levou-a de imediato à unidade de Saúde mais próxima. "Bem tentámos, mas nem sequer a quiseram ver. Responderam sempre para a levarmos para Benavente, uma vez que é lá que está inscrita", conta Paula Almeida, acrescentando: "Todas as pessoas que assistiram a este triste episódio estavam incrédulas".
As filhas de Cristina foram obrigadas a transportar a septuagenária para a Urgência do Centro de Saúde de Benavente: "Quando chegámos, os médicos nem queriam acreditar no que se tinha passado, tendo em conta o sangue que a minha mãe já tinha perdido".
O gabinete de comunicação da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, que já tem conhecimento do caso, assegurou ontem que a instituição "vai proceder a um conjunto de averiguações para apurar se há matéria para um eventual procedimento disciplinar". O CM tentou contactar várias vezes a Unidade de Saúde de Samora Correia, durante a tarde de ontem, mas ninguém atendeu o telefone.
PORMENORES
LEVADA DE CARRO
Cristina Almeida foi no carro da filha para o Centro de Saúde de Benavente, porque ninguém na Unidade de Samora Correia chamou uma ambulância para fazer o transporte.
PERDA DE SANGUE
À chegada a Benavente, já tinha perdido uma grande quantidade de sangue e estava praticamente inconsciente. O episódio poderia ter sido fatal, segundo a família.
TREZE CIRURGIAS
A septuagenária já foi submetida a treze intervenções cirúrgicas. A última, a uma hérnia, acabou por ser mais complicada do que se esperava. Por isso, continua internada em Lisboa.
QUEIXA NO LIVRO
Depois dos acontecimentos, um elemento da família dirigiu-se ao Centro de Saúde para preencher por escrito uma queixa no Livro Amarelo. A Administração Regional de Saúde vai investigar este caso.
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