sábado, 28 de março de 2009

Ciganos - Chuva de tiros fere três adultos e um menor

28 Março 2009 - 00h30

Lisboa: Chuva de tiros fere três adultos e um menor

Baleados à porta de casa

"Ouvi os tiros, vi uma carrinha e só pensei em agarrar no meu primo e proteger a minha mãe." Ricardo tem 20 anos. Mora no Bairro da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde na noite de anteontem, quando estava na rua a trocar uns dedos de conversa com uma amiga, a mãe e o primo João – que tem 13 anos – foi atingido numa perna por disparos de caçadeira, que feriram também o primo num joelho, a mãe nas costas e a amiga num pulso.

Os disparos – nove no total, garantem os moradores – foram efectuados do interior de uma carrinha Volkswagen Passat, de cor cinzenta. Lá dentro viajavam "quatro homens de etnia cigana", adiantou ao CM fonte policial. A mesma referiu que os ferimentos foram provocados por ricochete.

"É verdade que a minha mãe foi ferida por uma bala que primeiro atingiu a parede", conta Ricardo, que depois de atingido foi transportado para o Hospital de Santa Maria. Ele e as outras três vítimas tiveram alta pelas 04h00.

O jovem revela que a mãe trabalha no Metropolitano de Lisboa. "É gente honesta", sublinha uma vizinha, que recusa identificar-se pois considera que os disparos eram dirigidos aos mais recentes moradores do bairro.

"Famílias que estavam nas Galinheiras e, há dois meses, vieram para aqui", diz a mulher. A sua opinião é corroborada por outros moradores, os quais acrescentam: "isto é tudo por causa da droga".

"Todo o dia é um corrupio neste prédio", diz um homem, morador antigo no bairro, referindo-se ao número 5 da rua Maria Alice.

"Eu só lhe posso dizer que nós não temos nada a ver com isto", diz Ricardo.

Os disparos ocorreram pelas 21h00. A maioria dos moradores ouviram-nos mas poucos acorreram à janela.

A polícia foi rápida a chegar. Aliás, há uma esquadra no bairro. E vedou os acessos , mas de nada serviu pois há muito que a carrinha se pusera em fuga. As investigações estão agora a cargo da Judiciária.

BAIRROS PERIGOSOS

DETIDOS NA AMEIXOEIRA

Quatro homens residentes na Ameixoeira, em Lisboa, foram detidos no dia 10, pela PSP, na posse de quatro caçadeiras e 380 doses de haxixe. Os homens eram temidos pelos moradores e até por funcionários camarários, pois não tinham pudor em exibir as armas e muito menos em dispará-las no bairro.

DESACATOS NAS OLAIAS

Desacatos provocados pela ocupação de uma casa, no Bairro Portugal Novo, nas Olaias, em Lisboa, estiveram na origem dos disparos ocorridos na tarde do passado dia 8. Um conflito entre as comunidades cigana e negra que obrigou à intervenção de mais de 100 elementos da PSP.

REALOJADOS

O Bairro da Cruz Vermelha, na freguesia do Lumiar, em Lisboa, é composto por prédios construídos entre 1977 e 2003 para realojar moradores que residiam em casas abarracadas na Musgueira, Calvanas e Galinheiras.

Sofia Rêgo
Fonte: Correio da Manhã

Freeport: investigadores sofrem pressão

O Secretário Geral do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, João Palma, disse, em entrevista à TVI, que os investigadores do caso Freeport sofrem pressões.

«Há pressões, as pressões existem, mas são públicas», afirmou João Palma, adiantando ainda que «há outras que não são públicas e que existem também», em relação às quais João Palma não avança com esclarecimentos.

«O Ministério Público segue atentamente essas pressões, sabe que elas existem», disse ainda o secretário geral, alegando que se tais pressões continuarem, o MP «vai ter que provavelmente tomar uma posição pública sobre isso».

João Palma afirma ainda que, neste momento, com todas estas pressões, os procuradores responsáveis pelo processo não têm a serenidade que deveria haver para trabalhar.

O secretário geral contrariou, desta forma, as declarações do Procurador Geral da República.

Fonte: TVI24

Assaltos com armas de fogo aumentaram mais de 60%

28 Março 2009 - 00h30

Criminalidade: Números da PJ demostram subida dos roubos

Assaltos com armas de fogo aumentaram mais de 60%

Especialmente vocacionada para investigar crimes graves e violentos, a Polícia Judiciária registou um maior crescimento do número de ocorrências registadas em 2008. Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna, a PJ teve um crescimento de 22,7% nos casos registados, a maior parte dos quais se devem a roubos.

Os números relativos à actividade da PJ mostram que, no ano passado, foram investigados 3172 roubos com recurso a arma de fogo (o que representa um crescimento de 60,2%) e 3541 roubos de outro tipo (mais 54,63%).

Analisando o número de roubos pelo tipo de estabelecimentos atacados, constata-se que os bancos, estações dos CTT e empresas de transporte de valores são os que mais cresceram, com um aumento de 52% em relação a 2007. A resposta do principal órgão de investigação criminal a este tipo de crimes também foi mais eficaz, com um aumento das taxas de resolução (mais 50%) e de detenções (mais 32,5%), uma tendência que se acentuou após os meses de Verão.

Durante o ano de 2008 a PJ fez 1677 detenções, sendo que 721 dos detidos ficaram em prisão preventiva. A distribuição dos casos ao longo do ano mostra uma queda abrupta entre os meses de Junho e Agosto – altura em que, tradicionalmente, os níveis de criminalidade costumam baixar.

No entanto, o último Verão trouxe um anormal crescimento da criminalidade violenta, o que explica que se tenha passado de 90 detenções em Agosto para 194 em Setembro e 183 em Outubro, os dois valores mais elevados do ano.

Almeida Rodrigues, director nacional da Polícia Judiciária, sublinha que a PJ teve uma resposta "claramente positiva" à subida da criminalidade grave, procedendo a "inúmeras detenções".

Quanto aos crimes praticados com armas de fogo, o director nacional da PJ lembra que se verificou um "pico" no Verão passado, nos meses de Agosto e Setembro, mas defende que esses níveis de criminalidade "melhoraram substancialmente", possibilitando que haja alguma "pacificação e clima de segurança".

"ESTE ANO HOUVE UM ANORMAL SURTO DE CRIMES VIOLENTOS": Carlos Anjos, Presidente da ASFIC/PJ

Correio da Manhã – 0s números da PJ mostram uma queda abrupta das detenções no Verão e depois uma grande subida em Setembro. O que causou esta variação?

Carlos Anjos – 0s meses de Julho e Agosto registam, normalmente, uma queda dos resultados absolutos, por duas razões: cerca de um terço do efectivo da PJ está de férias e o crime abranda nesta altura. Este ano houve um anormal surto de crimes violentos, o que levou a que muitos inspectores fossem chamados. Os resultados apareceram em Setembro.

– Seria útil pensar num outro sistema de férias na PJ?

– Objectivamente, é impossível prever o que vai acontecer. Ninguém de bom senso pode dizer quando é que vai aumentar a criminalidade.

– Como explica que se verifique uma maior percentagem de casos de homicídio por resolver?

– Em 2008 aconteceram muitos homicídios no último trimestre do ano. Assistimos a um final de ano dramático. É normal que estes processos tenham transitado para 2009 ainda por resolver. A eficácia da Polícia Judiciária continua a ser muito elevada.

PJ REGISTA MAIS CASOS DE HOMICÍDIO AINDA POR RESOLVER

Em 2008 verificaram-se 145 homicídios, mais 12 do que no ano anterior. A PJ deteve 88 pessoas por este crime, sete delas mulheres. Somando aos casos do ano os processos pendentes na Polícia Judiciária, foram investigados 494 homicídios (que inclui crimes na forma tentada ou por negligência) mais 29 do que no ano anterior.

A PJ analisa em percentagem os casos de homicídio que foram concluídos em cada ano em relação ao total de processos em curso, o que permite verificar que a proporção de processos finalizados – em que foi deduzida uma acusação pelo crime de homicídio – baixou para cerca de 40% no ano passado, valor muito inferior ao de 2006 (cerca de 70% de casos resolvidos) e de 2007 (60%). Em consequência destes factos, a percentagem de processos em curso subiu para 33%, o que o relatório justifica com "a proximidade da pesquisa de dados face à data de investigação dos mesmos", sinal de que houve mais crimes de homicídio no final de 2008.

José Carlos Marques
Fonte: Correio da Manhã

“O crime está a matar Setúbal”

28 Março 2009 - 21h00

Segurança: Moradores e comerciantes vivem com medo dos assaltos

“O crime está a matar Setúbal”

Medo. "De ser assaltado", "esfaqueado", "de ter uma arma apontada à cabeça". "De ser agredido", "de perder o carro". "De ser morto." Este é o sentimento que domina uma cidade inteira: Setúbal. A mesma onde se registou 38 532 crimes em 2008, a mesma onde a simples aproximação de dois homens que querem fazer uma pergunta – a equipa que realizou esta reportagem – causa temor. A desconfiança é permanente. Na Baixa, zona nobre por excelência, ainda é pior. Lojas e cafés fecham cada vez mais cedo. E nem a presença dos reforços do Corpo de Intervenção da PSP traz alguma tranquilidade face à onda de criminalidade que assusta a cidade.

É este o caso de Fernanda Correia, mulher do ourives assassinado em Agosto do ano passado durante um assalto. Vive 'sempre trancada', a apenas cem metros da Câmara Municipal, onde param as carrinhas da polícia. Reabriu a Jóias do Bocage 'depois de ter colocado grades na porta e tirado o ouro da loja'. A venda deu lugar ao 'arranjo de relógios, fios e pulseiras'. O atendimento é feito através do pequeno postigo. A ourivesaria está aberta, mas a porta fechada. O negócio quase acabou. 'Por medo.'

A poucos metros, uma loja de brinquedos, assaltada 'há coisa de uma semana'. O dono não quer a identidade divulgada mas enumera os problemas de segurança da cidade. Demora a terminar, tal é a dimensão da lista. Acaba a lamentar o potencial que a cidade tinha e que entretanto se perdeu. 'E as consequências para o negócio.'

'Até o tipo de casas que as pessoas compram mudou no último ano. Já ninguém quer viver isolado numa vivenda', diz Fernando Trovão, um promotor imobiliário, alvo em 2008 de um carjacking à porta da casa de José Mourinho. 'A cidade é perigosa e a violência gratuita. Setúbal tinha tudo para ser um sucesso. Mas o crime está a matar a cidade', lamenta.

PAGAR PELA SEGURANÇA

Se na Baixa de Setúbal os estabelecimentos comerciais fecham cada vez mais cedo, junto às docas há quem opte por pagar à PSP para manter a porta aberta. Vítimas de um assalto à mão armada a 7 de Fevereiro, os proprietários do Pancada do Mar já instalaram um sistema de videovigilância no café, mas 'como nem isso resulta', fizeram o pedido à PSP para ter um agente à porta. 'Estamos à espera de resposta. Não sei se será solução, mas depois daquele assalto, ceguei', relata Isabel Trindade. 'Antes levava uma vida normal. Agora estou sempre desconfiada das pessoas que entram no café. E até em casa sinto medo ao mais pequeno barulho', confessa.

'JÁ TODOS FOMOS ASSALTADOS'

Ao volante das centenas de táxis que circulam diariamente em Setúbal também se vive o medo. 'A cidade é super insegura. Acontecem assaltos constantemente. Garanto--lhe que não há um colega que não tenha sido assaltado', diz Alberto Lopes, na praça há mais de 20 anos. 'Em Abril faz um ano que fui eu a vítima. Na mesma noite ‘fizeram’ outro colega', garante. O testemunho é quase repetido por Júlio Sousa, de 36 anos, 12 dos quais como taxista na cidade sadina. A sua vez chegou em Dezembro: 'Encostaram-me uma faca ao pescoço e levaram o dinheiro que tinha feito nesse dia. Agora já não trabalho à noite. E mesmo de dia, por exemplo, se for para o bairro da Bela Vista só paro em frente à esquadra.' Três taxistas depois e concluímos que as história são as mesmas. Varia apenas o dia e o local. 'Enquanto o sentimento de impunidade não acabar, estamos feitos', diz Júlio Sousa. De acordo com os dados oficiais do Ministério da Administração Interna, em 2008 houve 18 alarmes reais de assaltos a taxistas em Setúbal.

'FALTAM MEIOS POLICIAIS EM PERMANÊNCIA': MAria das Dores Meira, Presidente Câmara Setúbal

Correio da Manhã – Considera Setúbal uma cidade segura?

Maria das Dores Meira – Setúbal é uma cidade com níveis de segurança equiparáveis a qualquer outra capital de distrito, mas onde existe manifestamente uma falta de meios policiais em permanência.

– Existe uma onda de criminalidade na cidade?

– É inegável que houve uma aumento da criminalidade, embora, por razões de agenda dos próprios media, a atenção sobre o que aqui se passa tenha redobrado, o que pode criar uma realidade que não corresponde inteiramente ao que se está a passar.

– Concorda com a instalação de um sistema de videovigilância na Baixa da cidade?

– Não. Coloca em causa o direito à privacidade de quem anda nas ruas da Baixa. Depois, além da reduzida eficácia do sistema a responsabilidade de garantir a segurança dos cidadãos é do Estado e das suas forças de segurança.

– Atravessaria, sozinha e a pé, a Baixa da cidade à noite?

– Faço-o quase diariamente.

'LADRÕES DE QUINTAL'

Três brasileiros à conversa num banco da praça do Bocage. Vieram de Minas Gerais. O mais velho há cinco anos. Os outros 'foram chegando'. Um é serralheiro naval, outro soldador e o terceiro trabalha com empilhadores. Negam a presença de grupos organizados em Setúbal, mas admitem que parte da criminalidade é gerada por conterrâneos. 'É gente muito nova. Aquele criminoso inexperiente que nós no Brasil chamamos de pega-galinha, que roubam no quintal dos vizinhos', diz José Santos, 30 anos. 'Esse é o problema. Pega--galinha no Brasil chega a Portugal e passa ser ladrão de primeira categoria', conta José Filho, de 44 anos.

UM ROSTO ENTRE 131 CARJACKINGS

Fernando Trovão, promotor imobiliário, é uma da 131 vítimas de carjacking em 2008 no distrito de Setúbal. Numa manhã de Setembro esperava pelos filhos à porta de casa e foi ameaçado com armas de fogo. O carro levado pelos ladrões foi recuperado no dia seguinte depois de ter sido usado num assalto a uma caixa ATM no Algarve. 'O pior é o sentimento de impotência. Vendi logo o carro e agora uso um carrode serviço, que anda devagar e não chama a atenção de ninguém.'

PORMENORES

OURIVES BALEADO

A PJ de Setúbal terminou esta semana a investigação, tutelada pela 2.ª Secção do Ministério Público local, ao homicídio do ourives José Pereira. Edivaldo Rodrigues, o brasileiro que em Agosto de 2008 abateu o homem com um tiro na cabeça, vai responder por homicídio qualificado.

GANG DO ATM CONTINUA

São cerca de 20 elementos, vivem no bairro da Bela Vista e estão por detrás de centenas de roubos de ATM – já arrecadaram perto de dois milhões de euros. Três foram capturados em 2008, mas os assaltos continuam.

NOTAS

RASI: 38 532 CRIMES

De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), em 2008 registaram-se 38 532 crimes no distrito de Setúbal, mais 3,2% do que no ano anterior. Cerca de 700 foram violentos

FARMÁCIA: OUTRO ASSALTO

Anteontem, pelas 19h45, três encapuzados assaltaram a farmácia Cunha Pinheiro, na rua da Camarinha. De arma em punho, acabaram por levar 300 euros da caixa registadora

PSP: O MENOR RÁCIO DO PAÍS

Em Setúbal há um polícia para 400 habitantes. No resto do País há um por cada 200 cidadãos. Em 2008, a PSP de Setúbal herdou mais cem mil habitantes, mas nenhum agente

João C. Rodrigues
Fonte: Correio da Manhã

Sócrates é «corrupto», diz Smith em DVD


«É corrupto». É desta forma que Charles Smith fala de José Sócrates no DVD que é fundamental para a investigação do processo Freeport em Inglaterra. A TVI revelou, no Jornal Nacional desta sexta-feira, o som de uma conversa de 20 minutos em que é mencionado o nome do primeiro-ministro.

Veja aqui o vídeo
Reacção de José Sócrates

A reunião juntou três pessoas: Charles Smith, já arguido em Portugal, João Cabral, ex-funcionário da Smith e Pedro, e Alan Perkins, administrador do Freeport, que sem conhecimento dos outros intervenientes no encontro, fez a gravação.

Contactado pela TVI, João Cabral recusou fazer qualquer comentário sobre o conteúdo do DVD.

A conversa que incrimina Sócrates

Alan Perkins: O que desencadeou a acção da polícia? A queixa era sobre corrupção...
Charles Smith: O primeiro-ministro, o ministro do Ambiente é corrupto.
Alan Perkins: Quando tudo estava a ser construído qual era a posição dele?
Charles Smith: Este tipo, Sócrates, no final de Fevereiro, Março de 2002, estava no Governo. Era ministro do Ambiente. Ele é o tipo que aprovou este projecto. Ele aprovou na última semana do mandato, dos quatro anos. Em primeiro lugar, foi suspeito que ele o tenha aprovado no último dia do cargo... E não foi por dinheiro na altura, entende?Isto foi mesmo ser estúpido...
Alan Perkins:Quando foram feitos os pagamentos? Como estava em posição de receber pagamentos se aprovou o projecto no último dia do cargo?
Charles Smith: Foram feitos depois. Ele pediu dinheiro a dada altura, mas não...

Charles Smith: João, foi aprovado e os pagamentos foram posteriormente?
João Cabral: Certamente... Houve um acordo em Janeiro. Eles tinham um acordo com o homem do Sócrates, penso que é em Janeiro.

Charles Smith: Sean (Collidge) reuniu-se com o tipo. Sean reuniu-se com funcionários dele, percebe? Sean e Gary (Russel) reuniram-se com eles.
Alan Perkins: Houve um acordo para pagar?
Charles Smith: Para pagar uma contribuição para o partido deles.

Charles Smith: Nós fomos o correio. Apenas recebemos o dinheiro deles. Demos o dinheiro a um primo... a um homem...
Alan Perkins: Mas como o Freeport vos fez chegar esse dinheiro?
Charles Smith: Passou pelas nossas contas
Alan Perkins: Facturaram ao Freeport, ok?
Charles Smith: Ao abrigo deste contrato. Era originalmente para ser 500 mil aqui, desacelerámos, parámos a este nível, certo? Isso foi discutido na reunião, lembra-se? Ele disse: «Nós não queremos pagar». Se ler esse contrato, diz aí que recebemos três tranches de 50, 50, 50... Gary disse: «Enviamos o dinheiro para a conta da vossa empresa».


Alan Perkins: Facturaram profissionalmente...
Charles Smith: Sim!
Alan Perkins: Entrou na vossa conta...
Charles Smith: Entrou e saiu logo a seguir.
Alan Perkins: Como sacou o dinheiro?
Charles Smith: Em numerário. Foi tudo transacção em numerário durante dois anos... Tem de compreender, não sou assim tão estúpido. Posso ter sido estúpido para fazer isto, mas fui esperto o suficiente para em pequenas quantias de 3 mil, 4 mil euros. É por isso que demorou dois anos a pagar isso!
Alan Perkins: Era do género pequenos envelopes castanhos por baixo da mesa.
Charles Smith: Por baixo da mesa, exactamente.
Alan Perkins: A quem? Imagino que o ministro...
Charles Smith: Ele tinha agentes. Ele, o próprio, não está envolvido
João Cabral: Um primo
Alan Perkins: Ele tem um primo?
Charles Smith: Sim

Alan Perkins: Você só tinha de se encontrar com ele num sítio qualquer e...
Charles Smith: Pois. Mas Gary e Sean encontraram-se inicialmente com eles num hotel de Lisboa e discutiram o assunto. Eles queriam um milhão.
Alan Perkins: Um milhão!
Charles Smith: Compreendo que a Freeport se queira distanciar...
Alan Perkins: 150 mil passaram pela vossa conta... você pagou isso?
Charles Smith: Sim!
Alan Perkins: E agora ficou com a conta dos impostos.
Charles Smith: Exactamente.

Alan Perkins: Pois. E foi este tipo, o Sócrates, não foi?
Charles Smith: Eh... não, não foi... Ele não esteve pessoalmente envolvido nisso. Inicialmente esteve, mas...
Alan Perkins: É ele o ministro?
Charles Smith: Ele agora é o primeiro-ministro!
Alan Perkins: Ele agora é o primeiro-ministro. Portanto, ele recebeu o dinheiro, mas recebeu-o através do primo, ou...
Charles Smith: Sim, sim!

Alan Perkins: Esses pagamentos foram feitos quando?
Charles Smith: Foi em... deixei-me ver a tabela. João foi em Março de 2002?
João Cabral Foi aprovado.
Alan Perkins: Então, quando foram efectuados os pagamentos?
Charles Smith: Em 2002, 2003.

Alan Perkins: Por que foi necessário pagar se o tipo já estava fora do cargo? Foi só por ter havido um acordo...
Charles Smith: É. Tinha havido um acordo.
Alan Perkins: Mas a aprovação do projecto foi quando ele estava no poder.
João Cabral Sim.
Alan Perkins: Como ministro do Ambiente deu aprovação. Havia um acordo sobre o pagamento e os pagamentos foram depois, embora ele já não estivesse no Governo.
João Cabral: Certo.

Alan Perkins: Esses pagamentos foram honrados, não foram?
João Cabral: O Sócrates tinha grandes ligações. É por isso que a gente tem medo de não pagar... É melhor continuar a pagar.
Charles Smith: O que aconteceu foi na fase em que ele disse: «Eu consigo que vos aprovem isto».
Alan Perkins: Sim...
Charles Smith: «Falem com o meu primo». Então eu e o Sean reunimo-nos com o primo e o primo disse: «Vamos conseguir essa aprovação».

Fonte: TVI24