sábado, 28 de março de 2009

Assaltos com armas de fogo aumentaram mais de 60%

28 Março 2009 - 00h30

Criminalidade: Números da PJ demostram subida dos roubos

Assaltos com armas de fogo aumentaram mais de 60%

Especialmente vocacionada para investigar crimes graves e violentos, a Polícia Judiciária registou um maior crescimento do número de ocorrências registadas em 2008. Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna, a PJ teve um crescimento de 22,7% nos casos registados, a maior parte dos quais se devem a roubos.

Os números relativos à actividade da PJ mostram que, no ano passado, foram investigados 3172 roubos com recurso a arma de fogo (o que representa um crescimento de 60,2%) e 3541 roubos de outro tipo (mais 54,63%).

Analisando o número de roubos pelo tipo de estabelecimentos atacados, constata-se que os bancos, estações dos CTT e empresas de transporte de valores são os que mais cresceram, com um aumento de 52% em relação a 2007. A resposta do principal órgão de investigação criminal a este tipo de crimes também foi mais eficaz, com um aumento das taxas de resolução (mais 50%) e de detenções (mais 32,5%), uma tendência que se acentuou após os meses de Verão.

Durante o ano de 2008 a PJ fez 1677 detenções, sendo que 721 dos detidos ficaram em prisão preventiva. A distribuição dos casos ao longo do ano mostra uma queda abrupta entre os meses de Junho e Agosto – altura em que, tradicionalmente, os níveis de criminalidade costumam baixar.

No entanto, o último Verão trouxe um anormal crescimento da criminalidade violenta, o que explica que se tenha passado de 90 detenções em Agosto para 194 em Setembro e 183 em Outubro, os dois valores mais elevados do ano.

Almeida Rodrigues, director nacional da Polícia Judiciária, sublinha que a PJ teve uma resposta "claramente positiva" à subida da criminalidade grave, procedendo a "inúmeras detenções".

Quanto aos crimes praticados com armas de fogo, o director nacional da PJ lembra que se verificou um "pico" no Verão passado, nos meses de Agosto e Setembro, mas defende que esses níveis de criminalidade "melhoraram substancialmente", possibilitando que haja alguma "pacificação e clima de segurança".

"ESTE ANO HOUVE UM ANORMAL SURTO DE CRIMES VIOLENTOS": Carlos Anjos, Presidente da ASFIC/PJ

Correio da Manhã – 0s números da PJ mostram uma queda abrupta das detenções no Verão e depois uma grande subida em Setembro. O que causou esta variação?

Carlos Anjos – 0s meses de Julho e Agosto registam, normalmente, uma queda dos resultados absolutos, por duas razões: cerca de um terço do efectivo da PJ está de férias e o crime abranda nesta altura. Este ano houve um anormal surto de crimes violentos, o que levou a que muitos inspectores fossem chamados. Os resultados apareceram em Setembro.

– Seria útil pensar num outro sistema de férias na PJ?

– Objectivamente, é impossível prever o que vai acontecer. Ninguém de bom senso pode dizer quando é que vai aumentar a criminalidade.

– Como explica que se verifique uma maior percentagem de casos de homicídio por resolver?

– Em 2008 aconteceram muitos homicídios no último trimestre do ano. Assistimos a um final de ano dramático. É normal que estes processos tenham transitado para 2009 ainda por resolver. A eficácia da Polícia Judiciária continua a ser muito elevada.

PJ REGISTA MAIS CASOS DE HOMICÍDIO AINDA POR RESOLVER

Em 2008 verificaram-se 145 homicídios, mais 12 do que no ano anterior. A PJ deteve 88 pessoas por este crime, sete delas mulheres. Somando aos casos do ano os processos pendentes na Polícia Judiciária, foram investigados 494 homicídios (que inclui crimes na forma tentada ou por negligência) mais 29 do que no ano anterior.

A PJ analisa em percentagem os casos de homicídio que foram concluídos em cada ano em relação ao total de processos em curso, o que permite verificar que a proporção de processos finalizados – em que foi deduzida uma acusação pelo crime de homicídio – baixou para cerca de 40% no ano passado, valor muito inferior ao de 2006 (cerca de 70% de casos resolvidos) e de 2007 (60%). Em consequência destes factos, a percentagem de processos em curso subiu para 33%, o que o relatório justifica com "a proximidade da pesquisa de dados face à data de investigação dos mesmos", sinal de que houve mais crimes de homicídio no final de 2008.

José Carlos Marques
Fonte: Correio da Manhã

Sem comentários:

Enviar um comentário