quinta-feira, 12 de março de 2009

Moldavos - Organização criminosa extorquia imigrantes

Portimão.
Um grupo de 22 moldavos e um português é acusado de promover a imigração ilegal e fazer depois extorsão a cidadãos do Leste europeu. Actuavam sobretudo no Algarve e respondem por dezenas de crimes. Julgamento começou ontem e obrigou a fortes medidas de segurança no tribunal Com cerca de duas horas de atraso e sob fortes medidas de segurança, a cargo do Corpo de Intervenção da PSP e do Grupo de Intervenção de Segurança Prisional, começou, ontem, no Tribunal de Portimão, com a leitura da acusação, o julgamento de um mega processo de combate ao auxílio à imigração ilegal e outros crimes, envolvendo 22 arguidos moldavos e um português. Sete estão em prisão preventiva.

Do total dos 23 acusados, na sua maioria homens, só 15 compareceram no tribunal. Alguns dos arguidos não foram notificados por ser desconhecido o seu paradeiro, existindo até indicações de que um deles já morreu.

A conclusão do processo, investigado pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), pôs termo a uma organização criminosa que operou desde 2001 sobretudo no Algarve. Para ser totalmente desmantelada, obrigou à criação de dois processos distintos, um que decorreu em 2005 e cujos líderes foram condenados a penas de prisão efectiva, e outro que entra agora na fase de julgamento. Só no Verão de 2007 acabou por ser desarticulada a actuação do grupo.

Dois dos acusados, em prisão preventiva, respondem por 60 crimes de extorsão, 18 de auxílio à imigração ilegal, cinco de coacção, dois de associação criminosa, um de corrupção activa, outro de burla qualificada e um outro de falsificação de notação técnica.

Os membros do gangue recorriam à intimidação e violência com a finalidade de extorquir dinheiro a imigrantes de países do leste europeu, utilizando para tal armas proibidas. Segundo apurou o DN, as vítimas eram sobretudo cidadãos moldavos, com idades compreendidas entre 30 e 35 anos, residentes nos concelhos de Portimão e Albufeira, onde tinham negócios na construção civil e restauração.

Nalguns casos, as quantias extorquidas atingiriam 200 ou 300 euros por mês. "Quem ganha, tem de pagar!", ter-lhes-ão dito, na altura, alguns elementos do bando criminoso. As vítimas eram coagidas a não falhar os pagamentos, sob ameaça de represálias contra familiares, residentes em Portugal ou na Moldávia.

Segundo o SEF, os acusados teriam como função organizar, em Portugal, e providenciar o envio do dinheiro obtido de forma ilícita pelos elementos do grupo para um fundo monetário comum, o qual seria gerido na Moldávia, onde se está o responsável máximo da organização.

Fonte: DN

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