domingo, 15 de março de 2009

Fafe: Empresário morto com golpe de bloco de cimento na cabeça

14 Março 2009 - 00h30

Fafe: Empresário morto com golpe de bloco de cimento na cabeça

Assaltado e assassinado

O dono de um posto de abastecimento de combustíveis da cidade de Fafe foi ontem assassinado. De nada serviu ter acedido a todas as exigências dos assaltantes, que levaram o dinheiro existente na loja de conveniência da Repsol e ainda remexeram o interior da casa onde o empresário residia sozinho. António Castro Lopes, 45 anos, foi morto pela pancada de um bloco de cimento na cabeça.

O homicídio terá ocorrido pelas 03h00, mas só às 07h00 o corpo foi encontrado, num anexo de uma habitação arrendada, onde António Lopes guardava uma cadela. Isto a cerca de 50 metros do posto de abastecimento de combustíveis. Estava prostrado sobre uma grande poça de sangue, com graves ferimentos na cabeça. Estava em tronco nu e usava calças e ténis.

O pai – um octogenário que há 17 anos decidiu investir no posto de combustíveis depois de ter passado quase toda a vida emigrado em França – foi quem encontrou o corpo, depois de alertado pelos funcionários para várias situações estranhas com que se depararam quando chegaram para a abrir a bomba de gasolina, situada junto à rotunda do 25 de Abril, no início da variante da cidade de Fafe.

A porta estava fechada à chave, o alarme desligado e tinha desaparecido o dinheiro da caixa registadora, assim como uma bolsa com notas, que era normalmente escondida num local que só o proprietário e alguns funcionários conheciam.

Os empregados estimam que, no total, o dinheiro rondaria os 200 euros. Além disso, também desapareceu a cassete do sistema de videovigilância.

Ao que foi possível apurar, a porta do espaço de restauração foi aberta com a chave de António Lopes, não existindo quaisquer sinais de arrombamento.

Supostamente, o empresário terá sido surpreendido quando dormia, na sua residência, cujo interior foi completamente remexido, e obrigado, depois, a abrir a loja de conveniência e a entregar o dinheiro lá existente.

No regresso a casa, sensivelmente a meio do caminho, foi atingido na cabeça com um bloco de cimento, encontrado ainda com sangue e cabelo da vítima junto à porta do anexo onde foi deixado o corpo.

As autoridades policiais admitem que os assaltantes pretenderiam deixar inconsciente o empresário, mas a violência da pancada e a perda de sangue revelaram-se fatais. O caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária de Braga.

ROUBOS FICAM POR DENUNCIAR

O presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC), Augusto Cymbron, disse ao CM que deve dar-se credibilidade aos números governamentais sobre assaltos a postos de combustível em 2008. "Foram assaltados 468 postos [um aumento de 227 face aos 241 de 2007", referiu Augusto Cymbron. O aumento é "brutal"e o dirigente refere mesmo que "muitos casos ficam por denunciar pelos empresários,alguns nem seguro têm".

ÁREAS DA PSP COM MAIS CRIMES

Dos 421 037 crimes participados às polícias em 2008, cerca de 215 mil ocorreram na área da PSP. O crime geral subiu 7,5% no ano passado, face às 389 459 ocorrências de 2007 (ver gráficos ao lado). O Relatório Anual de Segurança Interna de 2008, que o Governo apresentará até 31 de Março, deverá referir que a PSP foi a principal contribuinte para este aumento. Face às 186 742 denúncias apresentadas em esquadras da PSP em 2007, os números do ano passado representam uma subida de 12,5%. O crime violento baixou 5,3% na área da PSP. No ano passado foram denunciados 14 265 crimes deste tipo, face aos15 071 de 2007. A nível nacional, o crime violento subiu 10,7% em 2008, com 24 313 crimes considerados graves ou violentos. Na área da GNR, o CM apurou que foram feitas entre 200 mil e 205 mil denúncias de crime, um aumento de 4% face às 192 022 de 2007. O presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia, Paulo Rodrigues, considera que estes números "poderão ser enganadores, já que há muitos crimes que nem são denunciados".

NOTAS

MAI: RECONHECE MAIS CRIMES

O ministro da Administração Interna reconheceu ontem que o crime geral e o crime violento subiram em 2008. No entanto, Rui Pereira frisou o decréscimo a partir do 2.º semestre de 2008

MÁRIO MENDES: ÍNDICE DESCE

O secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, Mário Mendes, disse que o índice de criminalidade começou a descer em Setembro de 2008, particularmente no último trimestre

PJ: SINDICATO APONTA ERROS

O presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da PJ não estranha o aumento do crime em 2008, apontando "erros das políticas na área da segurança"

Mário Fernandes / Secundino Cunha / M.C.
Fonte: Correio da Manhã

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