28.02.2009 - 20h57 Ana Afonso Nunes
A manhã de sexta-feira iniciou-se com mais um assalto em pleno dia a uma ourivesaria em Águas de Moura, concelho de Palmela. Por volta das 10h00, quatro indivíduos paravam a viatura com o objectivo de cometer o primeiro assalto a que se juntaria um segundo, minutos depois, numa ourivesaria da mesma família. Ainda sem o montante total contabilizado, Leonel António, proprietário da segunda ourivesaria, explica que “foi roubado muito ouro”.O seu sogro, que se encontrava na primeira ourivesaria, acabou por ser agredido, embora sem gravidade, mas necessitou de tratamento hospitalar. Ao final da noite, a GNR acabaria por deter na Moita dois indivíduos suspeitos de envolvimento no roubo de uma viatura e naqueles assaltos.
Este poderia ser o novo retrato de um típico dia no distrito de Setúbal, onde grassa a violência e que deixa os seus habitantes com receio de sair à rua. Mas só seria um dia típico se o dia terminasse por ali. Já os setubalenses recolhem a casa quando outra ocorrência, não muito distante, faz soar os alarmes: à mesma hora a que ocorria a detenção pela GNR, cerca das 21h00, em Azeitão, o hipermercado Intermarché era assaltado por quatro indivíduos encapuzados munidos de facas. Ainda com clientes no interior da loja, os assaltantes conseguiram fugir com um montante não apurado numa viatura que viriam a abandonar a poucos metros de distância, mudando para outra sem identificação.
A criminalidade em Setúbal é cada vez mais um motivo de preocupação. Todas as semanas os casos se multiplicam, sejam assaltos à plena luz do dia, ou mesmo roubos e episódios de carjacking. A cidade, decididamente, cada vez se sente mais insegura.
Todavia, para a presidente da câmara, Maria das Dores Meira, esta “não é uma cidade perigosa, embora existam neste momento, focos de criminalidade preocupantes que não se revelavam há poucos anos”. A autarca diz existir “uma nova realidade que resulta de múltiplos factores que concorrem para o aumento de situações de marginalidade, particularmente em zonas urbanas, onde os problemas económicos das populações assumem uma muito maior dimensão, o que significa que este não é um problema exclusivo de Setúbal”.
A autarca deriva então para uma análise sociopolítica, onde diz encontrar uma explicação: “Com grande facilidade se constata que as políticas de inspiração neoliberal seguidas se transformaram num enorme fracasso, de tal forma que, em época de acentuada recessão, até já assistimos a viragens à esquerda de última hora. O problema é que não bastam palavras nem medidas avulsas para inverter o rumo das coisas”.
Mais polícia
Para a autarca, a forma de resolver o problema passará por “aumentar, em Setúbal, o contingente policial permanente, pois o que tem sido recebido são unicamente demonstrações temporárias de força policial musculada, com exibição de cães ferozes e armamento suplementar que têm apenas efeito pontual”. No seu entender, “ter mais polícias, mais tempo, em mais locais e em permanência e contacto permanente com as pessoas” é importante para dar segurança às pessoas.
Revelando que o Ministério da Administração Interna tem acompanhado o caso, acrescentou, no entanto, parecer-lhe que “estão a ser retardados os necessários investimentos para o reforço do contingente policial permanente que uma cidade como Setúbal, com mais de 115 mil habitantes, merece”.
Defendeu também ser já tempo de o Governo ter “uma atitude mais afirmativa com soluções de combate à criminalidade em Setúbal e acabar com a prática de deixar que as suas responsabilidades sejam assacadas às autarquias, que não têm nem meios nem competências para a combater.”
Fonte: Publico
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