sábado, 28 de fevereiro de 2009

Faro - Crime perverso em julgamento

28 Fevereiro 2009 - 00h30

Faro: Ministério Público pede pena máxima para presumível homicida

Crime perverso em julgamento

O Ministério Público (MP) de Faro pediu a pena máxima (25 anos) para José Encarnação, acusado do homicídio do cunhado, Joaquim Pires, de 62 anos, em 17 de Maio de 2008, na Rua do Alportel, em Faro.

"Um crime altamente perverso, praticado por um indivíduo que não deve estar na sociedade e que teve intenção de matar, sem motivos que o justificassem", assim classificou ontem, na primeira sessão do julgamento, no tribunal de Faro, o procurador do MP, que salientou "a facada com extrema violência nas costas da vítima, que lhe causou a morte".

Na sessão foi ainda julgado outro crime de que José Encarnação é acusado. Terá esfaqueado, no tórax, Luciano Gonçalves, perfurando-lhe um pulmão e originando duas semanas de internamento no Hospital de Faro. "Não sei a razão da agressão, porque nunca discutimos", afirmou a vítima.

Outras testemunhas, que exigiram a retirada do arguido da sala, por temerem represálias, salientaram a perigosidade deste.

"Matou a filha, o sistema judicial permitiu que viesse cá para fora, matou o cunhado, e só não consumou outro homicídio por mero acaso", disse o advogado de acusação, que classificou o réu como "um perigo para a sociedade".

José Encarnação defendeu-se ao dizer que não praticou os crimes de que é acusado. "Estava em casa a dormir", afirmou, perante a revolta da assistência, que o apupou.

A sentença será lida no próximo dia 16 de Março.

MATOU A FILHA DE QUATRO ANOS

José Manuel Martins Encarnação foi condenado, há cerca de 20 anos, pelo Tribunal Judicial de Faro a 18 anos de prisão pelo homicídio de uma filha de quatro anos. Em tribunal ficou provado que José Encarnação enrolou um fio eléctrico à volta do pescoço da menor, causando-lhe a morte por asfixia, e depois pôs-se à janela de casa a ver as pessoas passarem para a Feira de Faro, que se realizava nessa altura.

Beneficiando de bom comportamento no estabelecimento prisional, cumpriu apenas oito dos 18 anos de prisão efectiva a que fora condenado. Já em liberdade, em 2006, agrediu com um ferro Joaquim Pires, que viria a matar em 2008. Aquela agressão foi a tribunal e, apesar dos antecedentes criminais, José Encarnação foi apenas condenado numa multa pecuniária de 500 euros, que pagou.

PORMENORES

INDEMNIZAÇÃO

A família da vítima pediu uma indemnização de 277 mil euros. "Será o Estado a pagar; o arguido, se não lhe sair o euromilhões, nem tem dinheiro para custas do tribunal", afirmou o advogado de acusação.

DIFICULDADE

A viúva de Joaquim Pires e uma filha menor, por dificuldades financeiras, tiveram de deixar a casa que habitavam. Estão a morar, de graça, na casa de uma irmã, ex--mulher do presumível homicida.

DESGRAÇA

Joaquim Pires auferia 600 euros mensais de reforma. Viúva e filha estão a receber, cada uma, 160 euros da pensão.

REVOLTA

Réu foi apupado à saída do tribunal. Familiares e amigos da vítima já se tinham manifestado na sala de audiências, tendo sido repreendidos pelo juiz.

Teixeira Marques Fonte: Correio da Manhã

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